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Eram cinco, seis, talvez oito notas que soavam ininterruptamente na minha cabeça. Apresentavam ritmos diversos. Eufóricos, quase sambas. Lentos, como mantras; chegavam muitas vezes a me fazer dormir. Um presente, talvez, oferecido aos meus sentidos e tomando conta de cada minuto dos meus dias.­ Por encontrar-se no campo do invisível…


Arquivo da autora

Converso com a escritora sergipana Thainá Carvalho sobre seu mais recente livro de poesias, “As coisas andam meio desalmadas”, lançado esse ano pela editora Penalux. São mais de cinquenta poesias inéditas, em que a autora aborda a busca da alma, tantas vezes perdida, pelo cotidiano. …


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O sopro forte punha inquietas as cortinas, onde outrora nem cumpriam a função de sombras, já que no abandono de cuidados femininos, ressecavam os tacos de madeira num chão aquecido pelo tempo. Até Beta chegar. Veio não se sabe de onde, com nome de estrela e não de santa.

Dizia-se…


Imagem de Trystan DeArth-Pendley por Pixabay

Com sandálias de corda, vestindo cores de frutas suculentas em panos costurados pelas próprias mãos, surgia dona Alice. Era um sorriso dançante que emprestava gentileza ao todo que nos preenchia. O corpo moreno agitava aceno, me fazendo aluno orgulhoso e moleque invejado por todos os marmanjos da padaria.

Um dia…


A moeda está debaixo da casca de noz da direita, insisti com o mágico. Ele ficou apreensivo com a minha ousadia de chutar tão em cima, e numa risada amarela desfez os barquinhos do fruto com uma rapidez de mestre. Ainda assim eu pude ver, que a moeda estava onde…


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O pó no início da música quando desce a agulha para o vinil, a folha quando vira-se a página, o estalado na mordida da maçã, o seu ressonar antes de dormir completamente, o ruído do vento pelas frestas da janela de vidro, o desembrulhar do chocolate, o estouro da placenta…


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Eu tinha nas mãos a existência. Bastava notar, me contratavam para deixá-la estampada em algum canto de uma parede rachada ou colorida, guardada em caixas velhas ou baús requintados, exposta pelas casas em pequenas molduras de vidro. Os mais apegados guardavam em seus bolsos, protegida em suas carteiras. …


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Era um saquinho de feltro velho, gasto, costurado com uma cianinha lilás. Dentro, junto com os intervalos do medo onde se colhia a coragem, uma medalha de São Roque. Amuleto esse, ou patuá, foi colocado em meu pescoço assim que nasci. Dizem que, quando o líquido viscoso ainda percorria o…


Imagem de indy_bbw0 por Pixabay

Caminhou sem a decisão da sobriedade, como se fossem bambas as alpargatas. Da noitada só conseguia lembrar do sabor de chiclete de cereja na boca da trapezista. …


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Eu era cabra de pouca fé e por isso consentia ser tamanha bobagem o pedido habitual de Eulália ao rezar: : “Que me traga o extraordinário, meu Pai”. Finalizava seu apelo com o sinal da cruz e ficava alguns poucos instantes em silêncio. Não minto que era gracioso de se…

Renata Py

Autora do livro “Firmina” — Laranja Original (2019)

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